Ele chega ao consultório depois de meses evitando o assunto. Primeiro foi uma noite em que “não deu certo”. Depois, o medo de que acontecesse de novo. Na vez seguinte, o medo veio antes do desejo, e o corpo respondeu ao medo.
Esse ciclo tem nome: ansiedade de desempenho. E é muito mais comum do que os homens costumam admitir.
Quando o medo ocupa o lugar do desejo
Na relação sexual, a atenção deveria estar no encontro. Na ansiedade de desempenho, ela se desloca para uma prova: vai dar certo desta vez? A pessoa passa a se observar de fora, como um fiscal de si mesma, e é difícil sentir desejo enquanto se é avaliado.
O corpo não separa bem um perigo real de uma cobrança. Diante da tensão, ele se prepara para se defender, não para o prazer.
O sintoma não é o problema inteiro. Ele é a parte que conseguiu aparecer.
Antes de tudo, o médico
Dificuldade de ereção pode ter causas físicas, e elas precisam ser descartadas com um urologista. Muitas vezes os exames vêm normais, e é aí que a pergunta muda: se o corpo funciona, o que está travando?
O que a análise investiga
Na psicanálise, a dificuldade sexual raramente é tratada como um defeito isolado. Ela costuma estar ligada a outras coisas: a forma como esse homem aprendeu a se cobrar, o que ele acredita que precisa provar, o que mudou na relação, no trabalho ou na vida.
Falar sobre isso, com sigilo e sem piada, já alivia parte do peso. O resto do trabalho é entender a história por trás do sintoma, para que ele deixe de ser necessário. Se esse é o seu caso, conheça o atendimento para homens ou, se o tema envolve a relação, o atendimento de casal.

